sexta-feira, 7 de abril de 2017

Resenha: Os 13 porquês - Jay Asher


Título: Os 13 porquês
Autor(a): Jay Asher
Tradutor(a): Alice Rocha
Editora: Àtica
Páginas: 256
Ano de lançamento: 2009
Onde comprar: Saraiva e Amazon 
Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker - uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.
 

Os 13 porquês tem a história contada do ponto de vista de Clay Jensen, um jovem que tem sua vida mudada após receber uma caixa de sapatos com 7 fitas cassetes com números de  1 à 13 pintados com esmalte azul e um mapa da cidade. 

Quando ele põe a fita 1 para tocar, a voz  de Hannah Baker invade seus ouvidos. A garota que havia se suicidado a apenas duas semanas, gravou essas fitas contando os motivos e as pessoas que a levaram a tomar essa decisão tão radical. A questão é, por que Clay está na lista?

"Engulo com força. Lágrimas pinicam o canto dos meus olhos. Porque é a voz de Hannah. Uma voz que pensei que jamais ouviria novamente. Não posso jogá-la fora." 

Ele sempre foi apaixonado por Hannah, mas nunca teve coragem suficiente para dizer a ela. Por isso fica sem entender por que recebeu a caixa, já que nunca a fez nenhum mal. Porém, se ele não ouvisse as fitas  e as passasse adiante, elas se tornariam públicas. E durante a leitura, vamos descobrindo junto com Clay enquanto visita os lugares marcados no mapa e escuta as fitas, o que cada uma dessas pessoas fez que magoou e teve tanto impacto na vida de Hannah.

"Eu queria contar tudo pra você. E isso machucava, porque algumas coisas eram assustadoras demais. Algumas coisas nem eu entendia. Como poderia contar a alguém - alguém com quem eu estava conversando pra valer, pela primeira vez - tudo o que eu estava pensando? Eu não conseguia. Era cedo demais. Ou, talvez, fosse tarde demais."

As motivações para a decisão de Hannah envolvem uma palavra: boato. O que era um simples boato acabou se tornando uma enorme bola de neve, e, em dado momento, tornou-se impossível para ela suportar mais algum dia. 

"Quando você faz alguém se sentir ridículo, você tem de assumir a responsabilidade pela ação de outras pessoas que tomam isso como pretexto."

É incrível a maneira com que o livro nos faz perceber como temos capacidade de alterar a vida de alguém com coisas pequenas. Sejam boatos, mentiras, brincadeiras inapropriadas, abuso, culpa, listas e principalmente com abandono ou qualquer forma de bullying. Quando dizemos ou fazemos algo de ruim contra uma pessoa,  não estamos afetando-a somente naquele momento, e sim por toda a sua vida, e é isso que vemos na história. Independente do que Hannah fez para tentar converter a situação a seu favor, tudo o que fizeram com ela desencadeou motivos que a levaram ao suicídio.

"Ninguém sabe quanto impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não temos noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito." 

"Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber ao meu respeito. Mas eu de verdade. Queria que deixassem para trás os boatos."

O autor tem uma escrita suave que faz o leitor sentir tudo que o Clay está sentindo com a narrativa dupla intercalada com as fitas de Hannah, imaginar cada detalhe e pensar como ele. Ficamos também tão conectados quanto, com a Hannah e somos capazes de sentir toda a dor, desespero, solidão e vazio que ela sentia. É um daqueles livros que te transporta para o local onde tudo está se desenrolando e te faz mergulhar fundo na história. Te dá vontade de ter conhecido e salvado a pessoa incrível que Hannah Baker era. Um livro incrível, tocante e com um fato que vemos todos os dias no jornal mas que é só depois da leitura desse livro que vemos a real importância. 

“É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.”

Terminei o livro com uma vontade imensa de ser uma pessoa melhor, tanto para os outros quanto para mim. Espero que tenham gostado da resenha e que esse livro também tenha tocado vocês de alguma forma. 
Um beijo e um queijo! ;*

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