sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Resenha: Andarilhos - R. Tavares



Título: Andarilhos
Autor(a):  R. Tavares
Editora: Martins Livreiro
Páginas: 204
Ano de lançamento: 2017
Onde comprar: Site do autor e Amazon (Ebook).
Sinopse: "'O Sertão é o Mundo', disse, certa vez, Guimarães Rosa. O mesmo poderíamos dizer sobre o Pampa, esta espécie de sertão meridional que baralha fronteiras e entremescla muitas pátrias. É no vasto e inesgotável, rico e melancólico mundo pampiano que transitam os personagens de R. Tavares: Pedro Guarany, changador marcado por uma antiga tragédia; João Fôia, lacônico homem cuja real personalidade é um mistério; e o francês Alphonse Saint Dominguet, cujo olhar forasteiro revela a estranheza, os arcaísmos e a alma profunda destes rincões à margem do mundo. 
Esses três andarilhos se reúnem em uma improvável comitiva de viagem, passando por cenários pitorescos, enfrentando ameaças e, principalmente, o passado - sempre à espreita (como um tigre nas matas) - pronto para cobrar seus tributos.
Trata-se de uma história que envolve temas universais, como o amor, a perda, amizade e (quem sabe) a redenção, e que apresenta grandes e verossímeis personagens - que criam empatia logo nos primeiros traços."

"Andarilhos" é um livro ambientado no Rio Grande do Sul, terras gaúchas, dos primeiros anos do século XX. Porém, vai muito além disso, já que acompanhamos Pedro Guarany, Jão Fôia e Alphonse Saint Dominguet, em suas jornadas.


"Todos temos um motivo para andejar sem eira nem beira."

Homens das estradas, vivendo com pouco. Um fugitivo, um andarilho e um escritor. Ambos com marcas do passado, e fungindo justamente dele. Vagando, se redescobrindo na estrada, e buscando redenção, que a cada dia enfrentam um novo desafio e tem suas histórias entrelaçadas de maneira surpreendente e curiosa. Além disso vamos encontrar outros personagens durante a leitura que vão fazer toda a diferença (contudo, se eu falar mais vou dar muitos spoilers).


"O luxo e o conforto são vistos como algo supérfalo, estrangeiro, desnecessário."

"Mas contestar é um ofício que não pretendo abandonar."

Ao longo da leitura somos apresentados a diversas tradições da região. Imposições, comportamento dos homens com as mulheres e a luta e resistência de cada uma para sobreviver, graças aos costumes da época, que também são abordados e nos fazem questionar certos pontos.


"Um aviso: a vida que presenteia é a mesma que cobra."

"Sangue se pagava com sangue. Era desse jeito que se lavava a honra naqueles lados."

Uma narrativa completamente envolvente e fluída, que nos faz devorar o livro em pouquíssimo tempo. Diferente de tudo o que já li, é um livro extremamente profundo e que me emocionou, ensinou e me fez agradecer por tudo o que tenho. Abordando vários temas como: família, amizade, amores, desamores, vingança, medo, compreensão e perdão, não tinha como esse livro não entrar para os favoritos contendo tantas lições importantes para a vida e para nos tornarmos pessoas melhores a cada dia. 


"Era como aqueles casos em que uma semente plantada há muito tempo, praticamente esquecida, depois de alguma chuva esparsa, finalmente começava a germinar e a criar raízes. Deveria passar a enxada logo nesse sentimento, pois sabia que era erva daninha."


"As leis nos libertaram da escravidão. Mas nós ainda somos pretos e pobres. E vosmecês não fazem nem ideia do que é ser preto e pobre numa terra de brancos. Mas nós vamos indo... Vivendo como Deus permite."

Uma verdadeira obra, típica de época, com sangue, luta, dor e história de amor, que veio para quebrar paradigmas, ultrapassar as barreiras do preconceito e mostrar que obras regionais são tão importantes quanto outras. Como a autor mesmo diz: "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia."

"Quando a conversa é boa, o tempo pede passagem - aqueles dois nem notaram que o sol já vinha baixando e procurando seu leito para o descanso noturno."

A capa ficou lindíssima, conseguindo capturar a essência do livro. A diagramação é simples, com letras de um bom tamanho para a leitura e capítulos curtos. 


"Afinal, a estrada estava sempre à espera dos andarilhos."

Para ler e reler sem cansar, "Andarilhos" entrou para os favoritos, conquistou meu coração e não vou cansar de indicar. Leiam! 


"Vai em paz. Segue teu caminho, mas nunca esqueças que esta família te ama muito. Aqui também sempre será a tua casa."


(Meu exemplar autografado!) 

(A embalagem super bem feita e linda em que chegou meu exemplar!)

Obrigada Rodrigo, por me proporcionar a honra de conhecer seu trabalho, por todo o carinho e atenção. E aqui vai a minha foto para colaborar com seu projeto #AndarilhosPorAí. 


(Foto no Museu Imperial - Petrópolis, Rio de Janeiro.)

Espero que tenham gostado, e me contem aqui se já leram ou prentendem... 
Um beijo e um queijo ;*

Nenhum comentário:

Postar um comentário