terça-feira, 17 de outubro de 2017

Resenha: Demônios Domésticos - Tiago Germano


Título: Demônios Domésticos
Autor(a): Tiago Germano
Editora: Le Chien
Páginas: 128
Ano de lançamento: 2017
Onde comprar: A Boa Prosa 
Sinopse: "As crônicas, divididas em períodos que vão da infância à idade adulta, mostram toda a poesia e o assombro daquelas lembranças que precisamos aprender a domar para seguir existindo.
Diante de um carro de som que anuncia a morte dos habitantes de uma cidade e da coleguinha enterrada com o uniforme da escola, um garoto do interior descobre a finitude do mundo e a precariedade das coisas. Nos parênteses abertos por um sorriso e no erotismo imprevisto de alguém comendo paçoca no vagão de um trem, o garoto descobre o amor, seus gestos, seus gostos, um inventário de burburinhos que ele guarda junto com sua coleção de palavras, no fundo de uma gaveta.
Demônios Domésticos, livro de estreia de Tiago Germano, é uma coletânea dos textos narrativos que o autor publicou ao longo de sua carreira como jornalista. As crônicas, divididas em períodos que vão da infância à idade adulta, mostram toda a poesia e o assombro daquelas lembranças que temos que aprender a domar para seguir existindo.
Ao longo das páginas, vamos conhecendo as histórias e os personagens que habitam o imaginário do escritor, este território em que criaturas do passado se misturam a personagens do presente, e o domínio da ficção começa a transpor os limiares do real, passeando junto com ele pela cidade e encharcando seu olhar sobre o cotidiano."


"Demônios Domésticos" é um livro de crônicas e boas memórias.

"...o verdadeiro artista é aquele que sabe o valor inestimável das coisas esquecidas."

Apesar do nome lembrar algo "ruim", o autor fala sobre sentimentos e recordações. É um livro que nos remete a memórias da infância, dúvidas que nos acompanham durante a vida, observações e comentários que captam os pequenos acontecimentos que nos movem.

"Com a coragem que hoje, nos eventos de que participo, procuro, mas não acho, arranquei do fundo da alma a dúvida atordoante: 'Padre, o Papa vai ao banheiro?'"

Palavras são colocadas nas páginas com intensidade, de maneira que nos faz perceber exatamente tudo o que o autor quer passar através da escrita e exatamente a importância que isso tem ao nos mover.

"...mas livrai-nos do 'Malamen', não é assim que todos rezam?"

O livro é dividido em quatro partes, sendo elas: "A infância, seus modos e seus medos", "O amor, seus gestos e seus gostos", "A rua, suas bocas e seus becos", e "O ofício, seus mitos e seus mundos". As crônicas relatam justamente temas que são abordados nos títulos destas partes, e os relatos são escritos de maneira única, nos transmitindo um misto de sensações e ainda arrancando boas risadas. 

"Minha coleção de palavras, que de repente cresceu e se desmembrou, hoje não cabe mais em meus cadernos. Aqueles dois grandes grupos foram criando subgrupos de palavras que diferentes de seus significados originais, se confundem com cores, dias da semana, cidades ou pessoas da família. Quem nunca se olhou no espelho e se achou com cara de domingo?"

E falando em crônica, todas (TODAS), foram escritas excepcionalmente bem, nos fazendo viajar para dentro do livro e nos banquetear a cada uma lida. E falando a verdade, não consegui escolher minha favorita pois foram muitas!

"De repente, daquelas duas bochechas cheias de amendoim, vi brotar o único sorriso que restava de inédito no mundo."

Um emaranhado de ideias muito bem delineadas, que nos fazem viajar. A edição ficou muito bonita sendo toda colorida por dentro, e com uma diagramação simples, porém extremamente confortável para ler. É uma leitura fluída, e que ao mesmo tempo em que nos tira da realidade nos mostra exatamente essa, mas de forma original e descontraída. 

"Desconfiar da sorte é como amar sem se arrepender. E nós amamos como nos arrependemos: mais pelo que não houve que pelo o que está por vir. Nós amamos como sentimos saudades: menos pelo que nos foi tirado que pelo que nos acrescentou. Nós amamos como morremos: sempre em vida, nunca no instante próprio da morte."

Um livro bem curtinho, que nos faz refletir, mas que dá gosto de ler. Vale a pena pelo capricho, simplicidade dos traços e intensidade das palavras. E quando finalizamos, sentimos que acrescentou imensamente em nossa bagagem literária.

"Peço a meus leitores que não desistam: quem sabe se. num dia de estiagem, minhas vacas magras não resolvam se alimentar de suas fábulas? Quem sabe se, nesses dias, um apetite descomunal não faça florescer boas crônicas, com o humor que tanto lhes apetece e com uma pitada de realismo mágico? Quem sabe se, você, leitor, isso mesmo, você, não se convide a escrevê-las de seu próprio punho? As ideias você já as tem, o desafio eu o estendo a você. 
Sua vida renderia um romance? Então, escreva."

Meu exemplar ficou inteiro cheio de post-its e se desse eu colocaria todos os quotes incríveis aqui rs Super recomendado! 

(Meu exemplar autografado e com marcador!)

Espero que tenham gostado, e me contem se pretendem ler ou se já leram, vou adorar saber.
Um beijo e um queijo ;*

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