quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Resenha: Pareidolia - Luiz Franco


Título: Pareidolia
Autor(a):  Luiz Franco
Editora: Escape
Páginas: 93
Ano de lançamento: 2016
Onde comprar: SOS Nave Mãe e Amazon (Ebook). 
Sinopse: "Pareidolia é o primeiro livro de contos do poeta, técnico gráfico, produtor cultural, professor e arqueólogo, entre outras coisas, Luiz Franco. Ecos de cada uma destas profissões que o autor exerce ou já exerceu se encontram nos textos aqui selecionados. A preocupação com a beleza e o ritmo do texto são fruto da cancha como poeta. A ironia, o humor e o gosto pela polêmica são indissociáveis da persona do autor, e aqueles que já acompanharam seu blog estão familiarizados com o estilo inciso e polêmico de Luiz ao tratar os mais diversos assuntos. O produtor cultural exigente, solidário e guerrilheiro, com seu estilo de produção punk rococó, é o responsável pela edição do livro independente de editoras e jabás, mas com editoração cuidadosa e caprichada, solidificada pelo trabalho talentoso do amigo e artista Gustavo Lambreta. O professor é uma das muitas faces do contista, preocupado em fazer divertir, mas fazer pensar e tratar de assuntos sérios sem intelectualismos. O arqueólogo dialoga com o poeta e escava as várias camadas da terra literária, em busca da raiz dos sentimentos."


"Pareidolia" é um livro de contos diferentes e divertidos, cada qual a sua maneira.

De modo que mexe conosco, cada conto narra um instante, um passeio pela cidade, um devaneio, ou uma situação do cotidiano, nos mostrando percepções distintas e narradas com uma escrita imaginativa. São histórias sem sentido, mas ao mesmo tempo tentando fazer sentido e repletas de sentido (como o próprio título já diz), deu pra entender?!

Em "Beto e as pombas" encontramos um assassinato, um julgamento e a capacidade do autor de observar algo aparentemente banal, do nosso dia-a-dia e transformar em algo surreal. 

"A música serve para alterar as minhas ideias e me deixar desatento, não são os versos que me fazem refletir e sim as melodias, a harmonia. A música é como uma droga na minha vida e chego a desconfiar que se eu pudesse colocar certos LPs ou CDs debaixo da língua, com certeza teria alucinações reconfortantes"

"Procura-se um novo domingo" é uma repetição curiosa de fatos e possibilidades, que vão se esgotando de um jeito curioso. 

"Rompi com o afeto para alimentar o ego."

"Perlavado" é o conto que possui lição de moral, surrealismo e um tipo de "despertador" para a realidade. 

"Todos ali engarrafados, pensando no trânsito que não anda, no tempo que não passa, nas voltas que o mundo dá nesse círculo viciado."

"Instante" é um conto feito de verdadeiros instantes e totalmente descritivo. 

"O tilintar estridente daquele aparelho tocando a mesma melodia a cada cinco minutos era o suficiente para irritar profundamente qualquer um em sã consciência, depois de mais de 30 minutos. O problema não era a consciência, era a ressaca."

"O relógio da estação" é o caso da relatividade do tempo e das obrigações, que fazem com que o tempo não passe ou que quando veja já acabou, um pouco angustiante. 

"Mas eu concordo ainda mais que a gente tem de conhecer as pessoas. As pessoas se esquecem que nem todo beijo é pecado, nem toda fruta é maçã, nem todo réu é culpado e nem toda culpa é cristã."

E por último o meu preferido, "Uma dose de rum a menos", uma dose a mais, uma troca de identidades e uma confusão arrumada, o conto para fazer rir e ensinar lições sobre aparências. 

"As pessoas precisam pensar com calma nas coisas que acontecem, eu agora penso que a estrada da vida tem ida e volta, ninguém foge do destino, esse trem que nos transporta."

O livro mexe com nossos sentidos e com o nosso humor de várias formas, principalmente por não se comunicar só com texto, já que a diagramação se alterna de acordo com o conto, tendo cada um a sua própria e ilustrada de acordo (e todas ficaram muito bonitas e bem feitas, por sinal). A capa dura, com aspecto velho, um chapéu e letras vermelhas dançaram em harmonia com o texto. O resultado foi um conjunto que nos faz pensar se fantasia e realidade podem realmente se misturar, e o que pode resultar essa união.

"Tem algum outro conselho, algo que seja muito importante, algo que você sabe que pode mudar ainda mais a nossa vida, que pode me fazer viver bem?
- Sim, cuidado com melancias, elas podem te matar."

Finalizando a leitura com algumas perguntas, percebi que era apenas questão de interpretação e por isso recomendo para todos que querem sair da zona de conforto, viajar um pouco e entrar em um verdadeiro jogo mental. 

(Meu exemplar autografado e na outra foto os marcadores lindos com poesia que recebi também do autor.)

Espero que tenham gostado, e me contem aqui se já leram ou pretendem. 


  • Curiosidade: Você sabe o que é Pareidolia? 

Pareidolia é um fenômeno psicológico comum em todos os seres humanos, conhecido por fazer as pessoas reconhecerem imagens de rostos humanos ou animais em objetos, sombras, formações de luzes e em qualquer outro estímulo visual aleatório.
Mesmo sendo mais comum a pareidolia de imagens, este fenômeno também engloba os sons, fazendo com que uma sequência de ruídos seja interpretada como palavras ou frases com algum significado para o ouvinte.
Por exemplo, em músicas que são reproduzidas ao contrário, muitas pessoas alegam ouvir mensagens que são supostamente consideradas mensagens subliminares, quando na verdade pode não passar de uma simples pareidolia sonora.

Um beijo e um queijo ;*

Nenhum comentário:

Postar um comentário