sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Resenha: Arco-íris de nove cores - Any Palin


Título: Arco-íris de nove cores
Autor(a):  Any Palin
Editora: Chiado
Páginas: 270
Ano de lançamento: 2017
Sinopse: "'Desculpe-me, sua doença é degenerativa, viverá no máximo 8 anos.'
Calei-me e segui em frente, mas pouco sabia do que me esperava pelos caminhos. A doença seria o menor de todos os problemas."

"Arco-íris de nove cores" é uma autobiografia de Any Palin, uma mulher que ainda criança viu sua sentença de morte ao receber o dignóstico de "Distrofia Muscular" e junto dele o prazo máximo de 8 anos de vida. Uma doença genética cruel e degenerativa que avançava em estágio lento e doloroso.

"Deus não une duas pessoas com uma história dessa à toa, né?"

"Eu sou o caminho, a verdade, e a vida."

Sendo obrigada a ter uma baixa expectativa de vida graças a sua doença, Any tinha duas opções: Se revoltar com a vida e viver o pouco tempo que lhe restava amargurada ou aceitar sua condição e viver feliz mesmo por pouco tempo. E ela escolheu a segunda opção, mesmo vendo seu mundo desmoronar mais vezes do que é capaz para se recuperar de uma queda, escolheu não desistir.

"...decidi que não teria vergonha de nada, senão, eu não ia mais viver. E estar viva e não viver é pior do que viver sabendo que logo as coisas estariam piores."

"Uma pessoa que tem a profissão de tirar a dor de alguém já é abençoada."

Nascida em São Paulo e morando com seus pais e seus dois irmãos, Ricardo e Antônio, Any nos conta através das páginas sua história de vida desde o nascimento até momentos atuais. Nos apresenta sua família, seus amigos, seus ex-namorados, seu marido, seu médico e todas as pessoas que são importantes para si ou tiveram importância em algum momento de sua vida.

"Deus é certo e coloca em nossas vidas exatamente as pessoas que necessitamos, como a água ou o ar."

"Não existe nada mais importante no mundo do que o amor. Amar aos seus, amar ao próximo, amar à natureza e aos animais, respeitá-los, cuidar bem de tudo e de todos."

Enfrentando diversos problemas, além de sua doença, Any nunca deixou de ser carismática e sempre positiva durante sua jornada. Uma garota forte, que apesar de tudo, sempre seguiu em frente mostrando a todos o quão corajosa e capaz é. Contudo, enfrentou suas dores em silêncio para não magoar quem ama, enfrentou seus obstáculos da melhor maneira que encontrou e enfrentou seus medos por decidir lutar independente do que a vida fosse lhe impôr.

"Se pudessem ver minha alma através de meus olhos, as pessoas, ao me verem sorrindo, chorariam comigo."

Sempre com os pés no chão, manteve sua fé e pintou um arco-íris não de sete, mas de nove cores em sua vida nos mostrando que a palavra de tudo é esperança. Superando as expectativas de todos, aprendemos que cada um dá o que pode , nem mais nem menos, e ninguém tem a permissão de exigir de outro qualquer coisa. E falando em respeito, esse é um ponto muito importante também, pois o tempo todo no livro, somos capazes de ver as verdadeiras dificuldades de Any enquanto pessoas de fora a julgavam por ser quem é. Com isso, aprendemos que respeito é a base de qualquer relacionamento, seja ele amoroso, familiar, ou simplesmente de convivência. 

"Cada um dá o que pode."

"...assim como não devemos exigir que alguém faça algo que não sabe fazer. E isto se refere a ter consciência de um erro, de não magoar alguém, de tomar atitudes erradas. Não devemos exigir. Devemos somente compreender que aquela pessoa apenas dá o que tem."

É um livro que nos abre o olho e dá tapas na cara só por palavras. Nos faz ser capaz de enxergar que a vida não é fácil e todo mundo passa por momentos difíceis e decisivos, mas é a escolha de cada um a forma como vai enfrentar e passar por cima. 

"Cada um é o que é, usa o que quer de roupa, faz no cabelo o que quiser e ninguém tem nada com isso. Pronto e acabou. É simples e fácil. Porque eu posso dizer: é ridículo as pessoas que se prestam a esse papel, falando da aparência do outro, roupa, cabelo e etc. Tenho dó, porque esse tipo de gente é daquele que precisa subir muito ainda naquela escadinha de desenho animado que chega no céu, sabe? Pobres de espírito, para resumir de uma vez."

Por ser uma biografia, todas as histórias contadas foram vividas pela autora e só por ela resolver abrir seu coração e compartilhar sua vida e suas lições, com pessoas que nem conhece, já mostra por si só a sua superação. 

"A nobreza de um homem está nos pequenos gestos como esse, de errar, reconhecer e pedir desculpa."

As histórias contadas não seguem uma ordem cronológica, vão sendo abordadas de acordo com determinada situação, o que nos faz refletir ainda mais sobre nossas escolhas, atitudes, e decisões pessoais. É uma obra inspiradora, que me encantou, mudou, emocionou (é, eu chorei), me fez ser uma pessoa melhor e ainda me deixou apaixonada.

"... a vida não é um dia, são vários... A dor que dói hoje doerá menos amanhã e menos depois de amanhã... E assim a vida segue. Lá na frente, você vai olhar para trás e ver que tudo não passou de um momento de aprendizado."

É um livro muito leve e divertido em vários momentos apesar de parecer bem dramático. Narrado em primeira pessoa e com uma linguagem super simples, o que nos dá a sensação de realmente estar ouvindo histórias de uma amiga. 

"Quando passei a ver cores e voltei a ver a vida com alegria, depois de aprender que alguns amores são finitos, outros não; que não importa o quanto você se importe, muitas pessoas não vão se importar; que não importa qual o tamanho da dor que você sente, o mundo não para, estava leve. Ao compreender certos ensinamentos que só a dor pode mostrar, eu estava leve."

A diagramação ficou muito boa e confortável para leitura, as páginas são brancas e a capa foi muito fiel à obra. Um detalhe importante, é que Any é um pseudônimo da autora, que não se revelou para preservar a identidade de outras pessoas que compõem a história.

"...essas pessoas, que deveriam saber que eu sou, não sabem nada sobre mim. Não sabem por quem eu rezo, por quem eu peço a Deus que interceda, não sabem por quem eu choro, não sabem quais são as minhas dores, tanto da alma quanto físicas, não sabem do meu dia a dia... Ou seja, se me julgam pelo que não sou, é porque não sabem quem é a Any. Logo, também não esperarei nada delas, porque cada um dá o que pode!"

Resenhar um biografia é muito complicado, pois não trata de um personagem fictício e sim da vida real de uma pessoa. E é exatamente isso que lemos, histórias reais de uma pessoa com muita bagagem para compartilhar. 

"Eu não trocaria minhas vivências por nada. Não trocaria uma vírgula do que vivi. Tudo fez com que eu seja quem eu sou hoje. São as peças do quebra-cabeça da minha vida."

Fui capaz de me ver em várias situações vividas por Any e me identificar em vários momentos, com isso, é impossível não se conectar e entregar neste leitura. Pois não importa o quanto a gente chore, o quanto a gente bata o pé, o quanto a gente brigue, a vida vai seguir de qualquer forma, então é melhor seguir feliz e aproveitando, do que chorando e reclamando. 

"...mas a vida me ensinou a ser brava porque se eu fosse melancólica, eu não aguentaria o tranco."

Viva da melhor forma que você puder.

"A primeira é que você tem um arco-íris. Todo mundo tem. E ele não tem apenas sete cores. Ele tem nove cores. E você nunca deve se esquecer de que depois dos dias em preto e branco, virão os dias coloridos, pois a vida é assim."

Espero que tenham gostado, e não deixem de me contar se já leram ou pretendem ler. Eu só tenho a agradecer por ter tido a incrível oportunidade de ler esse livro incrível que entrou para os favoritos e recomendo para todos! 

"Se cada um dá o que pode, então que você possa dar cada vez mais e melhor, assim como cada pessoa nessa morada em que estamos; mas saber que cada um dá o que pode, te fará mais complacente, paciente e resignado em relação ao seu próximo."

Um beijo e um queijo ;*

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