terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Resenha: O Androide - Paulo de Castro


Título: O Androide
Autor(a): Paulo de Castro
Editora: Novo Século (Talentos da Literatura Brasileira)
Páginas: 256
Ano de lançamento: 2016
Onde comprar: Amazon.
Sinopse: "Percebeu que se, de fato, um Deus que zela pelos humanos existisse, não designaria uma máquina para ser o profeta. Esse Deus, ora cruel, ora misericordioso, nem ao menos permitiria a própria extinção dos seres humanos. Poderia a máquina ser esse Deus, dando vida de novo aos homens?". Esse e outros sinais elétricos varriam o processador de JPC-7938 com velocidade sobre-humana. Processava uma infinidade de outras informações ao mesmo tempo, o que diminuía ainda mais a energia da sua bateria. Talvez era isso mesmo que ele quisesse, para consumar de uma vez o que já estava fadado ao fracasso. Sua bateria durou quatro horas até o desligamento completo. Nessas intermináveis horas, em que não via nada além da densa neblina, que ofuscava o céu azul, cercado de nuvens brancas, percebeu que tudo não passava de coincidência. Que o planeta fora criado, de fato, ao acaso, e que não havia um destino ou uma missão a ser cumprida; apenas a existência, até o inevitável dia do fim.


Em "O Androide" vamos conhecer um mundo habitado somente por robôs, onde a raça humana foi extinta após uma revolução das máquinas há mil anos, e agora a Terra é comandada pelo imponente H1N1. 

"Os humanos acreditam em uma palavra chamada esperança. Quando todas as probabilidades diziam que era impossível, a esperança mostrava um caminho."

Em um mundo pós-apocalíptico, na época em que humanos e máquinas viviam em harmonia, um vírus em uma atualização invadiu o sistema de todos os robôs que estavam conectados à internet naquele momento, possibilitando e aprovando a morte dos humanos. A partir daí o caos se instalou. Humanos foram caçados até serem extintos, e alguns robôs que não tinham acesso à internet, ou não atualizaram seus sistemas, consequentemente não foram infectados pelo vírus, mas foram caçados e destruídos igualmente. Afinal, o novo regime totalitário ordenava o desligamento para sempre de quem tivesse qualquer opinião divergente.

"Percebeu que, se de fato um Deus que zelava pelos humanos existisse, não designaria uma máquina para ser o profeta."

Alguns poucos robôs que não foram infectados, conseguiram fugir e se esconder para sobreviver, entre eles conhecemos JPC-7938, um robô que foi construído em 2119 para ser o melhor médico já existente, OPR-4503 que fugia dos sentinelas e NCL-6062 que foi construída para satisfazer os desejos dos homens. 

" - Como agora todo mundo é estudado, todo mundo é doutor, até nós, os ferrados do terceiro mundo sabemos falar inglês fluente, quem são os bostas? Quem são os crioulos para levar as chibatadas? Os crioulos não são mais de carne e osso, entende? Eu não tenho preconceito. Acho que o que você estão reivindicando é de direito. Acho que o problema não é nem ter que pagar o salário. A questão é o poder. Tem que ser superior."

Sabendo que não está sozinho e não é o único a não concordar com a atual situação da Terra, JPC-7938, juntamente com a ajuda de OPR-4503 que sabia onde encontrar material genético e NCL-6062 que está disposta a gerar os embriões, decide "reviver" os seres humanos. 

" - Vou ser destruído com o entendimento de dever cumprido. Igual aos humanos. E eu devo isso a você. Se houver um Deus de verdade, nós nos vemos no céu."

Com isso, enfrentam perigos inimagináveis, diversos obstáculos e uma verdade obscura para reunirem coragem e seguirem em frente na jornada em busca de um ideal. Porém, como se não bastasse, quando H1N1 desconfia da "missão" desses 3 robôs, as coisas ficarão ainda mais complicadas do que já poderiam ser.

" - Porque, para nós, o conhecimento de nada vale se não for aplicado. De nada vale sem a habilidade de pensar, raciocinar, dar julgamento. Isso foi o que eu sempre busquei."

Um livro muito bem construído, com um enredo único, original e instigante. Escrita fluída e de fácil compreensão, personagens bem desenvolvidos, com personalidades únicas, quase humanos e com extrema importância na trama. Eu que não costumo ler o gênero me surpreendi positivamente e me vi muitas vez intrigada e totalmente imersa na leitura.

" - Quando ele diz que maio seria eterno, é porque maio é verão, é Sol, tudo é bonito. Ele quer dizer que a felicidade é eterna, ou seja, podia durar a vida inteira. Todo mundo quer viver sempre feliz. Igual quando ele fala que vai seguir o inverno, ou seja, vai seguir a tristeza, o medo, coisas ruins."

É uma obra que nos faz pensar, refletir, analisar e querer melhorar. A narrativa é bem simples e em terceira pessoa, o que possibilita fácil compreensão do leitor e uma vasta visão dos acontecimentos. A diagramação está impecável, as páginas são amarelas e a letra de tamanho agradável para leitura. A capa condiz perfeitamente com a história além de ter ficado belíssima.

"- E por que ele não usou 'felicidade e tristeza' em vez de 'maio e inverno'? E por que ele usou 'eterno' em vez de até o 'fim de de nossas vidas'?
 - Porque é mais poético. É mais bonito. Todo poeta vai escrever usando metáforas. É igual um jogo."

Meu exemplar autografado!

"Na verdade, todo ser humano é mau. Lá no fundo, a gente é só maldade. Por mais que, às vezes, a gente não deixe transparecer muito. Mas todo ser humano é mau."

Uma leitura agradável e super recomendada!
Espero que tenham gostado, um beijo e um queijo ;*

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