sábado, 20 de janeiro de 2018

Resenha: Tartarugas até lá embaixo - John Green


Título: Tartarugas até lá embaixo
Autor(a): John Green
Tradutor(a): Ana Rodrigues
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Ano de lançamento: 2017
Sinopse: "Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas Até Lá Embaixo. 
A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido e quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro - enquanto lida com o transtorno obsessivo- compulsivo (TOC).
Repleto de referências da vida do autor entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância, Tartarugas Até Lá Embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e por que não? - peculiares répteis neozelandeses."


Aza Holmes é uma adolescente de 16 anos que sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido como TOC. Sua vida é um claro exemplo de como pessoas que convivem com a doença se sentem, um exemplo, é o fato de que um simples almoço pode virar uma espécie de tortura quando seus pensamentos questionam quantas bactérias existem em seu corpo e se elas irão ajudar a digerir sua comida ou enfraquecê-la até morrer. Com isso, para ajudar com sua ansiedade, Aza mantém um calo em sua mão com uma ferida aberta e consultas com um psiquiatra desde a infância. 


"...a vida é uma história que contam sobre nós, não uma história que escolhemos contar"

"Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar alguém que veja o mesmo mundo que o seu."

Manter a ferida aberta é como uma válvula de escape de sua própria mente, pois mostra que ela é real e seus pensamentos não definem quem ela é. Porém, é como um gatilho para outro questionamento, o de que sua ferida irá infeccionar e também levá-la à morte. Ou seja, é um ciclo vicioso que torna sua rotina ainda mais angustiante a cada dia. 


"O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo."

"-Então o que eu sou? O que é cada pessoa?
-'Eu' é a palavra mais difícil de definir."

Contudo, Aza tem ao seu lado Daisy, sua única e melhor amiga que tem um talento incrível para escrever fanfics de Star Wars, e que sofre junto com a mesma, mas para manter a amizade nos eixos. 


"E a questão é que, quando a gente perde alguém a gente se dá conta de que no fim vai perder todo mundo."

"...o agora não é o sempre."

Conhecemos também Davis, uma garoto humilde, apesar de ser filho do famoso bilionário Russell Pickett, que cuida do seu irmão, Noah, como se fosse seu filho, e tem um blog de poesias como forma de desabafar. Porém, seu pai está desaparecido e para encontrá-lo a polícia está oferecendo uma recompensa de cem mil dólares. Tendo conhecimento disso, Aza e Daisy começam uma busca para encontrar o homem desaparecido e ainda se aproximarem de Davis. 


"-Se algum dia eu escrever algo que me dê orgulho, prometo deixar você ler."

"-Gosto de poemas curtos e com rimas esquisitas, porque é assim que a vida é."

A partir daí, a trama começa a se desenrolar. Aza e Davis ficam cada vez mais próximos e começam a compartilhas seus medos e anseios, com isso, fazendo um novo sentimento além de amizade aflorar. Contudo, não podemos esquecer que Aza tem TOC e qualquer tipo de relacionamento com outra pessoa é ainda mais complicado do que o normal. 

"-Você dá poder demais aos seus pensamentos, Aza. São apenas pensamentos. Eles não são você. Você pertence a si mesma, mesmo quando seus pensamentos não pertencem."

"Toda perda é única. Não dá para saber como é a dor de outra pessoa , da mesma forma que tocar o corpo de alguém não é o mesmo que viver naquele corpo."

A trama foi criada de maneira impecável, não foi atoa que levou seis anos para o livro ficar pronto e ser lançado. O famoso João Verde soube abordar muito bem a doença que nos foi retratada, acredito que por mostrar camadas pessoais sobre si (para quem não sabe, o autor também sofre com a doença). Fomos capazes de sentir toda a agonia da protagonista, assim como seus dilemas e desafios diários. 


"Somos o narrador, o protagonista e o coadjuvante. O contador de história e a história em si. Somos alguma coisa de alguém, mas também o nosso eu."

"Na verdade, a gente nunca encontra respostas, apenas perguntas novas e mais interessantes."

Além de tudo, temos uma história impactante sobre recomeços e reencontros que nos levam a surpreendentes reflexões. Os personagens foram muito bem desenvolvidos, cada um possui sua personalidade e importância na trama, é nítido a evolução de cada um no decorrer da história, assim como cada trecho que se torna essencial e não deixa de fazer sentido ao fim. 


"Eu ainda estava no início do caminho. Ainda podia ser qualquer pessoa."

"O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais, sabe? Na vida real, algumas coisas melhoram e outras pioram. E aí a gente morre."

Em "Tartarugas até lá embaixo" temos uma nova perspectiva sobre a vida. É um livro que nos deixa tristes quando chega ao fim, mas justamente por conter uma escrita leve, fluída e de fácil compreensão, que nos faz ficar imersos na leitura até esta acabar.


"Estar vivo é sentir saudade."

A diagramação ficou muito boa, como sempre Intrínseca arrasa, as letras são de tamanho e fontes confortáveis para leitura, as páginas amarelas e a capa combinou perfeitamente e diz muito sobre o que nos aguarda no livro. 

"...ao escrever perceberia que amar não é uma tragédia ou um fracasso, mas um presente."

Este livro é um presente, uma confissão de coração aberto e que todos devem ler. Eu amei e recomendo para todos!

Espero que tenham gostado, um beijo e um queijo ;*

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