quinta-feira, 7 de junho de 2018

Resenha: A Revolução dos Bichos - George Orwell.






Título: A Revolução dos Bichos.
Título oroginal: Animal Farm.
Autor(a): George Orwell
Editora: Novo Século.
Páginas: 172.
Ano de lançamento: 2007 (nova edição).
Onde comprar: SaraivaAmazon, Lojas Americanas


Sinopse: Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, 'A Revolução dos Bichos' é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.


Como a própria sinopse já diz, “A Revolução dos Bichos” é uma sátira, escrita em 1945, que problematiza a ditadura Stalinista. O autor – também jornalista e ensaísta político – George Orwell, utilizou do bom-humor para criar uma reflexão das injustiças sociais da época.

O livro narra a vida de animais que vivem em uma granja, na Inglaterra. Entre estes animais, vive um porco já muito idoso chamado Major, que sentindo estar perto da morte, reúne os bichos no celeiro para incentivar uma rebelião. Os animais da Granja do Solar são encorajados e rebelar-se contra o humano dono da granja, o sr. Jones. Major de fato morre e é aí que a narrativa começa a desenrolar.

Após um dia de trabalho, os animais já cansados são agredidos a chicotadas pelo dono embriagado. Fartos de apanhar e serem escravizados, se revoltam contra Jones e o expulsam da fazenda com a sua família.

Os porcos, líderes da rebelião, por serem considerados mais inteligentes que os demais animais, ditam regras e criam na granja uma política comunista, onde todos os animais seriam tratados igualmente, teriam suas tarefas e seus benefícios de forma uniformizada.

No início, tudo ocorre bem, os animais estão felizes em trabalhar para eles mesmos, sem serem explorados pelos humanos. A quantidade de comida aumentara, assim como as horas de descanso e os momentos de lazer. O mandamento mais importante para os bichos é “Todos os animais são iguais”.

Em uma narrativa fácil, porém muito inteligente, percebemos que o autor ironiza a atitude dos porcos, que vai mudando com o passar do tempo, devido a confiança e o poder que os mesmos têm sobre os outros animais. Criando vantagens para si mesmos, os porcos mudam as regras, sempre com a desculpa de que “os porcos precisam de mais comida e conforto porque exercitam trabalho intelectual”, fazendo com que os bichos praticamente trabalhem para os porcos, tornando então, os porcos o reflexo dos humanos.

É impressionante como um livro escrito em 1945, ainda tenha tanta relevância mesmo tanto tempo após ser lançado. É possível acharmos semelhanças muito óbvias não só com o governo stalinista – que foi a inspiração da trama – mas também com a política atual. As falsas promessas, o poder disfarçado de igualdade e principalmente o fato dos mais fracos não contestarem por medo ou mesmo falta de entendimento.

A edição da editora Companhia das Letras (essa mesma da foto), vem composta por um posfácio no final do livro, com notas de Christopher Hitchens e do autor Orwell, comentando sobre a sátira.

“Na verdade, nunca tive opiniões políticas claramente definidas. Tornei-me pró-socialista mais por desgosto com a maneira como os setores mais pobres dos trabalhadores industriais era oprimido e negligenciados do que devido a qualquer admiração teórica por uma sociedade planificada. (p. 142)
Desde 1930, eu vira poucos indícios de que a URSS estivesse avançando na direção de algo que se pudesse chamar de socialismo. Pelo contrário, ficava chocado diante dos sinais claros de sua transformação numa sociedade hierarquizada, em que os governantes não têm mais razão de desistir do poder que qualquer outra classe dominante. (p.144)”

Dois longas de mesmo nome foram inspirados no livro, um lançado em 1954 e outro em 1999. Para assistir a versão de 1999, dublado no YouTube, clique aqui. 

Indico a leitura mesmo para aqueles que não conhecem a história de Stálin, pois a narrativa é bem fácil e possibilita o entendimento do livro, mesmo sem o conhecimento histórico.



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