terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Resenha: Mosquitolândia - David Arnold

Título: Mosquitolândia
Título Original: Mosquitoland
Autor(a): David Arnold
Tradutor(a): Alyne Azuma
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: AmazonSaraiva, e Submarino
Sinopse: "Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Mississippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente. Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demônios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade. Com uma narrativa caleidoscópica e inesquecível, 'Mosquitolândia' é uma odisseia contemporânea, uma história sobre as dificuldades do dia a dia e o que fazemos para enfrentá-las."


"Uma coisa só tem validade depois que é dita em voz alta."

Mary Iris Malone, ou Mim, é uma adolescente depressiva que já sofreu todas as possíveis catástrofes imagináveis. Vivendo em Jackson no Mississipi junto com seu pai e sua madrasta, as coisas só pioram estando à 1.524 Km de distância da sua mãe. Sentindo-se sozinha e deslocada em sua própria casa, teve a brilhante ideia de fugir rumo a uma jornada de aceitação, autodescoberta e claro, ao encontro de sua mãe em Cleveland, Ohio. 

"Sou uma coleção de esquisitices, um circo de neurônios e elétrons: meu coração é o dono do circo; minha alma, o trapezista, e o mundo, minha plateia. Parece estranho porque é estranho, e é estranho porque sou estranha."

"Esta é a questão da vida: você não sabe quanto tempo tem até morrer, e, até lá, não vai saber muito de nada."

Sua viagem começa em um ônibus onde novos personagens são inseridos na trama e se tornam de extrema importância na mesma, são eles: Carl, o motorista; Arlene, uma senhora com cheiro de manteiga; o Homem do Poncho que causa repúdia; Walt o garoto mais doce do mundo e que possui Síndrome de Down; Caleb que é um possível psicopata; e Beck, o simpático garoto da câmera que vai conquistar o coração de Mim e a ajudará em sua jornada. Cada um possui sua própria história e está em busca de algo que somos capazes de descobrir graças à nossa protagonista.

"... sou obrigada a admitir: esse garoto não tem absolutamente nada neste mundo, e olha como parece feliz. Sem família? Sem amigos? Sem casa? Sem problemas. Ei, oi, ele é Walt, está vivo, e isso já é suficiente. Diante dessa situação, meus problemas de repente parecem adolescentes demais. Como uma criança mimada fazendo birra e exigindo um brinquedo caro."

"Desenvolvi uma teoria que gosto de chamar de 'Princípio da Dor'. Basicamente é: a dor torna as pessoas quem elas são."

Podemos acompanhar tudo através das paradas inusitadas de Mim durante o caminho, seus pensamentos e reflexões sobre o passado e cartas destinadas a alguém chamada Isabel, ou seja, uma verdadeira mistura das situações mais inusitadas e esquisitas que poderiam acontecer. Juntos, enfrentarão perigos e descobrirão o verdadeiro significado de amizade, tornando tudo mais leve e suportável. 

"De todo jeito, você devia escrever. É melhor do que sucumbir à loucura do mundo."


"E, mesmo que seja críptico e um pouco estranho, às vezes críptico e um pouco estranho são melhores que se submeter ao sistema."

É uma história de partir o coração, nos faz rir, chorar e sentir um misto de emoções, no fim eu só sabia chorar. Usando como pano de fundo uma família problemática, é um livro que possui enorme carga emocional ao lidar com a vida de uma adolescente e tudo que nela é refletido, assim como questões importantes que podem afetar toda uma vida. Diversos assuntos são abordados como: depressão, amizade, homossexualidade, abuso sexual e problemas psicológicos sem perder a essência do livro e o foco central. 

"E juro que, quanto mais vivo, menos as coisas fazem sentido."

No início foi uma leitura arrastada, que não me prendeu muito, mas logo depois de umas 50 páginas a história se tornou extremamente fluída. Acredito que isto se deve ao fato de ser um livro bem denso e que precisa de atenção para ser entendido e absorvido. Apesar de tudo, não há do que se arrepender se decidir embarcar em Mosquitolândia, foi uma grata surpresa e enorme dificuldade para escrever a resenha e conseguir passar para vocês tudo que acredito ser importante sem soltar algum spoiler da trama.

"E, por mais simples que pareça, acho que entender quem você é - e quem não é - é a coisa mais importante de todas as Coisas Importantes."

"Em reumo, sou cento e dez por cento anomalia, mais uns trinta e três por cento espírito independente e sete por cento gênio do pensamento livre. Minha soma total é cento e cinquenta por cento, mas isso já era de se esperar, sendo eu uma anomalia viva e pensante. É isso aí!"

"... acredito que existem pessoas cujo único propósito na vida é mostrar ao restante de nós o que não fazer."

Sobe a parte estética, o livro está bem caprichado, a capa condiz com a obra, as páginas são amarelas, a fonte de tamanho confortável para leitura e com boa diagramação. Esse é um daqueles livros que todos deveriam ler. Recomendo fortemente! 


"Câmbio e desligo,
Mary Iris Malone,
Ilhada em Mim Mesma."


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